Buraco de ozônio na Antártida tem uma das menores extensões dos últimos 30 anos, aponta boletim da ONU


Imagem: GMM's

Redução das substâncias químicas nocivas e condições atmosféricas favoráveis marcam o segundo ano seguido de resultados abaixo da média histórica, segundo a Organização Meteorológica Mundial

O buraco na camada de ozônio sobre a Antártida voltou a surpreender positivamente cientistas e organizações ambientais ao redor do mundo. De acordo com o mais recente Boletim de Ozônio divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), o fenômeno registrado em 2025 foi um dos menores tamanhos registrados em décadas, consolidando uma tendência que reforça o sucesso das políticas internacionais voltadas à proteção dessa camada essencial para a vida no planeta. 

Segundo o boletim, o buraco do ano passado foi o quarto ou quinto menor desde 1992, ano em que passaram a ser monitorados de forma sistemática os padrões mais severos de destruição da camada de ozônio. Mais do que isso, foi o segundo ano consecutivo em que tanto a profundidade quanto a extensão do buraco ficaram significativamente abaixo da média registrada entre 1990 e 2010 — um indicativo de que a recuperação não foi um evento isolado, mas parte de uma trajetória consistente. 


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Um fenômeno cada vez mais raro e mais curto
Dados complementares divulgados por agências como NASA, NOAA e o Serviço de Monitoramento Atmosférico Copernicus (CAMS) ajudam a dimensionar esse avanço. De acordo com essas instituições, o buraco de 2025 apresentou a menor extensão e duração desde 2019, encerrando-se de forma antecipada em relação aos quatro anos anteriores. 

As medições, no entanto, variam ligeiramente conforme o método utilizado: enquanto o CAMS registrou uma área máxima de aproximadamente 21 milhões de km², a NASA apontou algo em torno de 22,8 milhões de km² — diferenças explicadas pelos instrumentos e algoritmos distintos utilizados por cada instituição. Ainda assim, ambos os números confirmam uma redução expressiva frente aos buracos observados no início da década, quando a extensão média chegava a superar os 26 milhões de km².

A concentração mínima de ozônio em 2025 também trouxe um sinal positivo: o índice mais baixo registrado foi de 147 Unidades Dobson, medida usada para calcular a densidade atmosférica de ozônio. O valor, embora ainda represente uma perda significativa em relação ao normal, está bem acima dos patamares observados entre 2020 e 2023, período em que os níveis frequentemente despencavam para menos de 100 Unidades Dobson.


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Protocolo de Montreal segue como principal responsável pelo avanço
Boa parte do mérito por essa recuperação recai sobre o Protocolo de Montreal, tratado internacional firmado em 1989 que estabeleceu metas globais para eliminar gradualmente a produção e o consumo das chamadas Substâncias Destruidoras de Ozônio (SDOs) — compostos químicos, como os antigos CFCs usados em aerossóis e sistemas de refrigeração, que corroem a camada protetora da atmosfera.

Segundo especialistas ouvidos por veículos internacionais, a redução contínua dessas substâncias, combinada a condições meteorológicas menos propícias à destruição do ozônio em 2025, foi determinante para o resultado positivo do ano. O cientista da NASA Paul Newman chegou a afirmar que, sem os avanços obtidos nas últimas décadas, o buraco deste ano teria sido consideravelmente maior — da ordem de milhões de quilômetros quadrados a mais do que o observado.

Vale lembrar que o comportamento do buraco de ozônio não segue uma linha reta de melhora ano após ano. Entre 2020 e 2023, por exemplo, o fenômeno voltou a apresentar dimensões relativamente grandes, muito provavelmente em decorrência de fatores como erupções vulcânicas no Pacífico Sul e alterações na circulação estratosférica ligadas às mudanças climáticas. Isso mostra que, apesar da tendência geral ser de recuperação, o processo ainda está sujeito a oscilações naturais de curto prazo.


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Por que isso importa para a saúde e para o planeta
A camada de ozônio funciona como um verdadeiro escudo natural da Terra, filtrando grande parte da radiação ultravioleta (UV) nociva emitida pelo Sol. Sua degradação está diretamente associada ao aumento de casos de câncer de pele, catarata e outros problemas de saúde ligados à exposição solar excessiva, além de causar danos a ecossistemas sensíveis e impactos negativos na agricultura em escala global.

Justamente por isso, o boletim da OMM chama atenção para um ponto que pode passar despercebido em meio às boas notícias: mesmo com a recuperação da camada de ozônio, o índice de radiação UV vem aumentando em algumas regiões do planeta. Desde meados da década de 1990, por exemplo, a radiação UV cresceu em até 20% em partes da Europa — um efeito atribuído principalmente à redução da cobertura de nuvens e ao aumento da insolação, e não à espessura da camada de ozônio em si. O próprio boletim reforça que, diante desse cenário, medidas de proteção contra a radiação solar continuam sendo fundamentais para a saúde pública.


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Quando a camada de ozônio deve se recuperar totalmente
As projeções mais recentes de organizações como a ONU indicam um horizonte relativamente próximo para a recuperação completa da camada de ozônio, desde que as políticas ambientais atuais sejam mantidas. A expectativa é que isso ocorra até 2066 na região da Antártida, até 2045 no Ártico e até 2040 no restante do planeta.

Em nota sobre o tema, o secretário-geral da ONU, António Guterres, destacou que a recuperação da camada de ozônio comprova que o progresso é possível quando as nações levam a sério os alertas da ciência — uma mensagem que ganha ainda mais peso em um momento em que o mundo discute outras crises ambientais urgentes, como as mudanças climáticas.

Especialistas da própria OMM, no entanto, fazem questão de frisar que os resultados positivos não devem gerar acomodação. O monitoramento contínuo do fenômeno segue sendo essencial para garantir que as políticas de proteção à camada de ozônio permaneçam eficazes nas próximas décadas — e para assegurar que o planeta continue no caminho certo rumo à restauração completa desse escudo natural.

               Nesse Globo interativo você poderá girar com o mouse para vê exatamente onde fica o maior buraco da Camada de Ozônio.

Carregando o globo…
Área aproximada do buraco na camada de ozônio sobre a Antártida (temporada 2025) — arraste com o mouse para girar o globo.
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