12/31/20

Livro celebra os 15 anos da organização não governamental Save Brasil, dedicada à proteção de espécies de aves que correm risco de desaparecer no Brasil

Aves brasileiras sob risco de extinção 'ressurgem' das cinzas em obra sobre conservação
Foto: ICMBio/Divulgação

O mito de que o Brasil seria o país do mundo que mais protege seus ambientes naturais só prospera graças à ignorância acerca do que já foi destruído.

Não é incomum, por exemplo, que pedaços minúsculos de mata atlântica nordestina abriguem dezenas de espécies ameaçadas de aves num só lugar, e situações quase tão complicadas afetam trechos do cerrado ou da caatinga. Por sorte, não há nada de inevitável em tais cenários: é perfeitamente possível impedir a derrocada de componentes únicos dos ecossistemas brasileiros.

Essa conclusão esperançosa é a principal mensagem de "15 Histórias de Conservação", livro que celebra os 15 anos de existência da organização não governamental Save Brasil, dedicada à proteção de espécies de aves que correm risco de desaparecer no país. Escrito pelos biólogos Pedro Develey e Jaqueline Goerck e pela jornalista Maura Campanili, o livro é tanto uma crônica do trabalho de pesquisadores e conservacionistas quanto uma introdução aos métodos e à lógica da proteção de espécies ameaçadas.

As aves são, por motivos óbvios (beleza da plumagem e do canto, facilidade de identificação, atratividade para turistas etc.), alvos privilegiados desse tipo de esforço em todos os lugares do mundo. O território brasileiro, além disso, é o segundo do mundo em riqueza de espécies do grupo (quase 2.000 registradas) e, infelizmente, o que abriga o maior número de aves em risco de extinção (no momento, 171 espécies).

A estratégia, portanto, é relativamente simples no papel: mapear geograficamente as aves ameaçadas e eleger o que se costuma chamar de "espécies-bandeiras"-bichos particularmente interessantes e carismáticos que podem funcionar como um tipo de guarda-chuva ecológico: protegendo o habitat deles, outras espécies relevantes e sob risco que o habitam também ficam protegidas, e todo mundo sai ganhando.

O trabalho da equipe da Save Brasil tem sido importante em ambos os aspectos, mas a coisa se torna especialmente complexa, exigindo a combinação das habilidades de pesquisa e conservação com sensibilidade cultural e boa dose de diplomacia, quando entra em cena a negociação para transformar áreas já muito degradadas e sob pressão econômica em reservas naturais.

Em alguns casos, a ONG e seus aliados chegaram a comprar propriedades rurais para transformá-las em RPPNs (Reservas Particulares do Patrimônio Natural), mas é muito difícil que esse tipo de abordagem resolva, sozinha, o problema de espécies de aves que precisam de áreas relativamente grandes para se deslocar, alimentar-se e formar uma população reprodutora viável, sem um excesso de cruzamentos consanguíneos, que podem afetar sua saúde a longo prazo.

É preciso, portanto, criar raízes em cada local, muitas vezes mostrando a comunidades pobres e relativamente isoladas que a presença de uma espécie ameaçada pode ser um trunfo econômico –por meio do turismo de observação de aves ou da produção agrícola com certificação ambiental, digamos– e uma maneira de garantir a qualidade do solo e do suprimento de água, dois tipos de patrimônio que só têm a ganhar quando há áreas saudáveis de floresta nas redondezas.

Exemplos de que isso é possível se multiplicaram no Nordeste, lar do acrobata (Acrobatornis fonsecai), descoberto apenas nos anos 1990 em matas úmidas do sul baiano e já ameaçado, e do gravatazeiro (Rhopornis ardesiacus), nativo de áreas mais secas, as matas de cipó do norte de Minas Gerais e regiões vizinhas da Bahia.

O acrobata, um parente do joão-de-barro, chamou a atenção por caçar insetos pendurado em galhos de ponta-cabeça e por viver nas cabrucas, plantações de cacau sombreadas pela mata nativa -o que permitiu que as iniciativas de conservação ajudassem na certificação do chocolate produzido na região.

Já a pequena cidade baiana de Boa Nova adotou o gravatazeiro, com suas elegantes listras brancas nas asas e olhos vermelhos, como motivo de orgulho municipal, diminuindo a caça e a retirada de lenha da mata e criando pousadas e restaurantes para os observadores de aves.

Mas talvez a história mais impressionante seja a de uma quase ressurreição. Depois de passar 75 anos sem ser vista, a rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis), de olhos azuis e manchas de tonalidade semelhante nas asas cor de bronze, ressurgiu em 2015, em Botumirim (MG).

Registros anteriores da ave tinham sido feitos nos séculos 19 e 20 em Mato Grosso, São Paulo e Goiás, o que mostra como sua distribuição pode ter encolhido radicalmente. Calcula-se que restem menos de 30 indivíduos da espécie, número que deve ser melhorado em breve graças a um programa de reprodução em cativeiro.

A versão impressa do livro é enviada como brinde aos que se tornarem assinantes do plano Amigos da Save Brasil (custo mensal de R$ 10). Os interessados podem aderir ao plano acessando o site savebrasil.org.br

Fonte: O Tempo

Pesquisadores encontraram nas montanhas Tien Shan um complexo específico de rochas que se formou no Oceano Cambriano há cerca de 500 milhões de anos

A bucólica paisagem acima ocorre numa das áreas do arco insular descoberto pelos pesquisadores nas montanhas Tien Shan. Crédito: SPbU

O esforço de décadas de cientistas da Universidade de São Petersburgo (Rússia) no estudo da geologia da Ásia Central, muitas vezes em colaboração com cientistas de outras partes do mundo, tem rendido muitas descobertas relevantes. Um bom número delas se refere às peculiaridades de Tien Shan. Esse grande sistema de cordilheiras se espalha pela região fronteiriça entre Cazaquistão, Quirguistão e Xinjiang (China ocidental). O objetivo desses estudos é decifrar as estruturas do Cinturão Orogênico da Ásia Central, um dos maiores sistemas montanhosos antigos da Terra.

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